Serra Verde Express atinge 5 milhões de passageiros e coloca turismo ferroviário no centro do debate econômico

Adonai Arruda, presidente do Grupo Serra Verde Express e Adonai Arruda Filho, diretor – geral da Serra Verde Express – Divulgação Serra Verde Express 

A Serra Verde Express completa 29 anos nesta sexta-feira, 1º de maio, com um marco que redefine o papel do turismo ferroviário no Brasil: o embarque do passageiro número 5 milhões no trajeto entre Curitiba e Morretes.

O número não é apenas simbólico. Ele sustenta um argumento que ganha força no setor: o turismo ferroviário pode operar como motor real de desenvolvimento regional.

E os dados acompanham essa leitura.

Operação transforma ferrovia degradada em ativo econômico

A origem da empresa ajuda a explicar o impacto.

Em 1997, Adonai Aires de Arruda assumiu a operação de um trecho ferroviário deteriorado, com infraestrutura comprometida e sem valor comercial imediato.

Foram nove anos de investimento sem retorno financeiro. A aposta não era no curto prazo, mas na capacidade do turismo de ativar o território.

“Acreditar no turismo como propulsor de economias regionais e mantenedor da história não é romantismo, é estratégia. Cada passageiro que embarca em nosso trem fortalece o comércio local, valoriza o patrimônio histórico e entende um pouco mais do Brasil. Esse é o papel que o turismo ferroviário pode desempenhar em todo o país”, afirma Arruda.

Hoje, o ativo é outro. A ferrovia se tornou produto turístico consolidado.

Impacto financeiro reforça papel do turismo no território

Os números ajudam a dimensionar o efeito.

Segundo a Adetur Litoral, o passeio injeta cerca de R$ 114 milhões por ano na economia de Morretes. Quase metade desse valor permanece no próprio município.

Ao projetar essa média ao longo dos 29 anos, o impacto ultrapassa R$ 3 bilhões no litoral paranaense.

O turismo deixa de ser complementar. Passa a ser estruturante.

Grupo amplia atuação e diversifica produtos turísticos

A Serra Verde Express deixou de ser apenas operadora ferroviária.

Hoje, o grupo inclui restaurantes, pousadas, operações na Ilha do Mel, a BWT Operadora e o Trem da República.

A estratégia segue uma lógica clara: controlar mais etapas da experiência do visitante e ampliar receita.

A modernização da frota também acompanha esse movimento. Os 25 vagões incluem espaços inclusivos, áreas pet friendly e composições temáticas.

O investimento mais recente, uma locomotiva própria avaliada em cerca de US$ 1 milhão, amplia a capacidade de criação de novos produtos.

Reconhecimento internacional reposiciona produto brasileiro

O passeio pela Serra do Mar entrou no radar global.

A publicação Lonely Planet posicionou o trajeto entre os 60 melhores do mundo em 2025. Veículos como The Guardian e The Wall Street Journal também destacaram a experiência.

Além disso, produções internacionais ampliaram visibilidade. O trem foi cenário de versões do reality Race Across the World, levando a paisagem brasileira a milhões de espectadores.

Esse tipo de exposição impacta diretamente a demanda internacional.

Nova gestão amplia agenda nacional do turismo ferroviário

A operação também passa por transição.

Adonai Arruda Filho assume a direção-geral com foco em expansão e articulação institucional. À frente da ABOTTC, ele lidera iniciativas para discutir o uso da malha ferroviária ociosa no país.

O 1º Fórum de Fomento ao Turismo Ferroviário Brasileiro, realizado em Curitiba, colocou o tema na agenda pública.

O debate deixa de ser regional. Ganha escala nacional.

O que está sendo celebrado

As comemorações acontecem na Estação Ferroviária de Curitiba, com o embarque simbólico do passageiro número 5 milhões.

Em paralelo, São Paulo registra o passageiro número 125 mil do Trem da República.

Os números funcionam como marco. Mas o que está em jogo é maior.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

A Serra Verde Express valida o turismo ferroviário como ativo econômico consistente no Brasil.

Regiões com malha ferroviária subutilizada passam a ser alvo de interesse para novos projetos.

Operadores que diversificam experiência e controlam a cadeia capturam mais valor.

E o principal: o turismo sobre trilhos deixa de ser nicho e entra como alternativa real de desenvolvimento regional.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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